As paredes de um cômodo podem esconder verdadeiras fortalezas. Essa, ao menos, é a ideia do “bunker”, conhecido também como quarto do pânico ou de segurança.

Trata-se de um ambiente com blindagem arquitetônica e proteção reforçada. Esses cômodos costumam ter portas e paredes de aço, fechaduras com 11 a 15 pinos, sistema de ventilação próprio e comunicação externa independente da central telefônica da casa.

Um projeto com blindagem total e cortina corta fogo, com recursos de comunicação interna, alarme e câmera, pode custar entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão.

Para Vicente Ancona, diretor da consultoria em segurança TAE, porém, o quarto do pânico não funciona como solução isolada de proteção. Segundo ele, um bom projeto de segurança deve incluir, além de equipamentos de qualidade, a análise da rotina dos moradores, o estudo do entorno e o levantamento das modalidades de crimes predominantes na região.

Os quartos de segurança são mais comuns, segundo empresas da área, em condomínios residenciais de luxo de cidades próximas a São Paulo, como Campinas (a 93 km) e Indaiatuba (a 98 km).

“É um nicho de mercado bem específico. São pessoas que vivem em casas imponentes e têm medo de que, no caso de uma ocorrência, a polícia demore a chegar”, diz Cristiano Vargas, diretor comercial da Vault, empresa especializada em barreiras físicas e sistemas de segurança.

Na capital, a maior demanda vem de moradores de apartamentos, que querem se proteger de arrastões. Nesses casos, são as portas sociais e de serviço que ganham proteção extra. “Alguns clientes pedem para blindar também a porta que fecha o corredor e para criar nichos reforçados dentro de um quarto, closet ou banheiro”, diz Vargas.

Boa parte das paredes desses cômodos dá para fora do prédio, o que deixa a blindagem mais simples e em conta. A partir de R$ 15 mil já é possível reforçar uma área pequena de apartamento.

Planejar o “bunker” durante a construção ou reforma da casa também ajuda a evitar quebra-quebra e baratear os custos de instalação do quarto. “Quanto mais a obra conseguir prever facilidades de infraestrutura, como saída de ar e água e a rede elétrica separada do resto da casa, mais barato e bem feito o projeto será”, diz Vargas.

O arquiteto Antonio Ferreira Junior explica que a instalação de uma porta blindada, por exemplo, exige características específicas da parede de e uma abertura maior do que os modelos convencionais.