Por: Cristiano Vargas, diretor da VAULT, empresa especializada em Barreiras Físicas de Alta Segurança (Equipamentos Blindados, Bollards e Projetos Especiais) e Sistemas Integrados de Segurança (Controle de Acesso, CFTV e Alarmes).

A gestão de profissionais é um constante desafio nas empresas, mas, em determinados segmentos, requer a adoção de estratégias específicas. Assim é o mercado de segurança que, pela própria natureza do negócio, inspira cuidados especiais, tanto nos processos internos como no atendimento/na prestação de serviços. Por envolver projetos de segurança física e patrimonial, o sigilo e a discrição são peças fundamentais dentro da empresa e precisam ser devidamente inseridas na cultura dos profissionais. Além disso, se tornou premissa, no mercado de segurança, agir em conformidade com as mais exigentes normas nacionais e internacionais, de entidades mundialmente reconhecidas para parametrização de materiais e serviços. Daí a importância de promover o envolvimento e comprometimento dos funcionários por meio de uma gestão que motive e valorize o profissional.

O ideal é que a empresa enxergue cada colaborador como parte de uma grande engrenagem. Desde o estagiário ao presidente, cada um tem a sua importância e precisa entender que se não houver envolvimento, irá comprometer toda essa engrenagem. E aí cabe a empresa oferecer o máximo de motivação para que estes funcionários se sintam parte de cada resultado. Quando se cria o hábito de envolver a equipe em decisões estratégicas da empresa, a cumplicidade passa a ser um processo natural. O sucesso de uma empresa não é mérito de uma única pessoa, mas da junção de várias competências que estejam no mesmo nível de comprometimento com o negócio.

Mesmo que o líder já tenha praticamente tomado a sua decisão com relação a algum assunto, é importante consultar a equipe, não só para confirmar a confiança que se tem nos profissionais, mas para, de fato, coletar opiniões que podem ser decisivas na elaboração de estratégias internas. É imprescindível ter uma postura de parceria e proximidade, compartilhar visões, experiências, conquistas e, consequentemente, comemorar os objetivos atingidos. Não pode haver adversários, mas parceiros em busca de um mesmo ideal. Neste contexto, a comunicação se torna uma estratégia fundamental para alinhar os objetivos com os funcionários e colocá-los no mesmo timing.

Em um setor em que a exigência é muito grande e, consequentemente, o stress também, vale deixar a liderança autoritária para promover uma virada, ou ainda para lidar com profissionais mais complicados. Em momentos de pressão e tensão, o ideal é manter a calma e a racionalidade para não tomar decisões no impulso. Por isso o gestor deve ter equilíbrio e inteligência emocional, pois, mesmo contando com uma equipe qualificada, será ele que deverá conduzir a situação e as decisões a serem tomadas. Respeito não se exige, não se impõe. Respeito se conquista. O líder é uma referência para os colaboradores e sua postura influencia diretamente no comportamento da equipe. É dever do líder criar uma atmosfera propícia para o crescimento e desenvolvimento de sua equipe, favorecendo um ambiente de produtividade e, certamente, de respeito.

Pressionar ou impor determinadas posturas/atitudes sempre se mostrou ineficaz e até prejudicial à produtividade dos profissionais. Cito, como exemplos, o socialismo e o totalitarismo. Países que adotaram esses regimes se mostram atrasados em comparação aqueles que optaram pela democracia. Hoje, é evidente a prevalência da democracia no campo político, assim como da meritocracia no campo econômico. Empresas que sempre procuraram estimular seus funcionários, com planos de carreira e participação nos lucros, têm um desenvolvimento muito maior ao longo dos anos do que aquelas instituições, geralmente públicas, que não aplicaram políticas nesse sentido.

Outro requisito importante para adotar uma gestão eficaz no setor de segurança é a obtenção de informação. Estar sempre munido do máximo de informações possíveis é uma estratégia inteligente. Só assim um líder pode tomar uma decisão firme em situações críticas. Além disso, é preciso manter a clareza dos objetivos e fixar na mente da equipe o que a empresa busca. Neste sentido, a reciclagem das informações torna-se fundamental. E, como dito anteriormente, é importante que este líder tenha equilíbrio e inteligência emocional – características essenciais para agir em situações de maior tensão e que exigem raciocínio rápido. De modo geral, o gestor que possui este perfil consegue ser mais assertivo na tomada de decisões.

Fonte: Gestão & RH