Ainda pouco utilizado no Brasil, o sistema auxilia na identificação precoce de um sinistro.

O sistema de câmeras ou CFTV é um dos mais procurados pelos que desejam segurança física e patrimonial. Afinal, permitem identificar possíveis problemas, além de inibir atos criminosos. Integrados a outros recursos, como os alarmes sensoriados, possibilitam não só a identificação de possíveis ocorrências, mas também acionam, se necessário, os meios competentes para deter o evento.

As câmeras são instaladas conforme a necessidade do local a ser protegido e transmitem as imagens para um ou vários monitores de televisão, permitindo o monitoramento 24 horas, que pode ser feito no próprio local ou à distância. Com o desenvolvimento de tecnologia e o acesso à internet, atualmente é possível, por meio de equipamentos e softwares especiais, visualizar o ambiente monitorado de um computador remoto ou mesmo de um tablet ou celular.

A criminalidade pode ser a maior fomentadora no mercado de videomonitoramento no Brasil, mas as suas aplicações vão muito além, afinal, processos fabris podem ser monitorados para garantir a segurança e qualidade dos produtos, o trânsito para não se tornar ainda mais caótico e, por que não contribuir para a prevenção de incêndios?

Segundo especialistas, no Brasil, esse uso ainda não é muito difundido. Os clientes finais dificilmente têm acesso à informação sobre o sistema, sendo de conhecimento apenas dos profissionais da área. Mas em outros países é utilizado em vários projetos como ferramenta auxiliar no processo de prevenção.

O pouco uso de monitoramento de imagens na prevenção de incêndios no País, de acordo com o engenheiro de aplicação de sistemas Jair Carlos de Oliveira júnior, da Fike Latina, se deve a não existência de equipamentos de detecção de incêndio por imagem disponíveis no mercado, isso porque não há uma cultura de equipamentos certificados para esse fim, assim como para os demais equipamentos de detecção e alarme de incêndio.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, há uma grande variedade de aplicações, inclusive mencionadas como opção de detecção de incêndio na National Fire Protection Association. (NFPA) 72.

Como qualquer equipamento usado na prevenção de incêndio e também por exigência da própria NFPA, os sistemas de detecção por imagem são certificados por laboratórios credenciados e só podem ser aplicados nos projetos de proteção contra incêndio se forem projetados para essa finalidade específica, ou seja, uma câmera de detecção de incêndio, só pode ser usada para esse fim, não havendo a possibilidade de utilização de sistemas de intrusão com softwares adaptados para também captarem um possível evento de incêndio.

Uma das principais características do sistema de detecção de incêndio por imagem é registrar o evento por meio de um vídeo, evidenciando as possíveis causas. Por outro lado, conforme explica Oliveira, também elimina as dificuldades de aplicação de um sistema de detecção de incêndio em áreas não favoráveis, onde não seria possível a instalação de métodos mais convencionais ou, ainda, não obter o máximo de eficiência.

Em relação às tecnologias utilizadas para a detecção de incêndio por imagem, em parte, são as mesmas adotadas para segurança patrimonial e pública, como por exemplo, câmeras IP, gravadores, switches, etc. Porém o engenheiro da Fike reforça que, para atender às recomendações das normas da NFPA, todos os equipamentos devem ser certificados para esse fim.

“Os sistemas aplicados atualmente para segurança patrimonial não foram projetados para essa finalidade, logo não atendem ao requisito principal de um sistema certificado de proteção contra incêndio. Não há dúvidas sobre eficiência e funcionalidade de sistemas de imagens na segurança patrimonial, só não podemos aplicá-los em finalidades diferentes às que foram projetadas, que é salvar vidas”, enfatiza Oliveira.

Sendo as câmeras a essência do videomonitoramento, em qualquer aplicação, a escolha correta das mais adequadas a cada projeto é fundamental. No caso da detecção de incêndio, hoje, no mercado, são encontradas câmeras com tecnologia de captação de radiação infravermelha (câmeras térmicas), ultravioleta e as que utilizam o sistema de identificação por Spectro Visível de Imagem.

O CTO (Chief Tecnology Officer) da VAULT, Natan Cuglovici, comenta que as câmeras térmicas podem monitorar diversas faixas no espectro de calor de máquinas, poços de extração de petróleo, de caldeiras e outros.

“Uma câmera térmica focaliza uma máquina em seu processo diário. Em determinado momento, um superaquecimento provoca uma alteração na imagem, que fica bastante evidenciada pela tecnologia térmica utilizada. Essa alteração, monitorada pelo software de gestão de CFTV, ativa uma reação, acionando uma série e/ou uma mensagem no monitor de visualização, além de poder enviar e-mails e sms de alerta, antes que o sobreaquecimento das máquinas o converta em foco de incêndio”, detalha.

No caso de sistema de detecção de incêndio por Spectro Visível de Imagem, Oliveira explica que ele se baseia na tecnologia de leitura de pixels estáticos e dinâmicos, fazendo a comparação entre eles no cenário abrangido pela câmera, no qual é possível criar zonas de detecção de fumaça, fogo, reflexão da luz da chama e até movimentos, onde qualquer evento dessa natureza será identificado.

Essas zonas podem ser para detecção do evento escolhido ou para bloqueio, podendo desconsiderar o alarme em situação de fumaça ou chama proveniente do próprio processo, por exemplo. Essa tecnologia está embarcada na própria câmera, que analisa o cenário e o compara aos padrões de fumaça e fogo existentes na memória interna. Em conjunto com a câmera, do tipo IP, é acoplado um sistema composto por um gravador (NVR) e um software cuja programação das zonas e demais recursos são executados. Esse software também será o responsável pela manipulação das informações dos eventos detectados, ou seja, gravação, armazenamento, alarmes, etc.

Qualquer evento identificado pela câmera gera um vídeo, que terá sua gravação iniciada no ato da detecção e só será finalizado quando o evento for extinto. Ele não poderá ser apagado por nenhum usuário, uma vez que se trata do histórico do evento de incêndio.

Depois de instalada a câmera, o software gera um relatório de instalação, programação e comissionamento do sistema, a fim de que sejam oficializadas, as zonas programadas de detecção e bloqueio responsáveis pela proteção do cenário escolhido.

Vantagens

Sem dúvidas o monitoramento contribui para a detecção antecipada de incêndios, evitando que tomem grandes proporções e, principalmente, segundo Renato de Araújo Lima, marketing manager Fire Products Brazil, da Robert Bosch, em áreas abertas e com grandes dimensões como plantações de cana-de-açúcar e eucaliptos e, em túneis rodoviários, ferroviários.

Já nos ambientes fechados, agiliza a análise e conclusão de se o incêndio é real ou falso, facilitando os procedimentos de combate e abandono do local.

Mas Lima alerta que há grandes possibilidades de falsos alarmes, por exemplo, em caso de neblina, em ambientes abertos, que pode ser considerada fumaça, assim como os faróis dos automóveis, que podem ser entendidos como chamas.

As tecnologias disponíveis atualmente, entre as quais as de análise avançada de vídeo, sensores térmicos e guarda inteligente, na opinião de Cuglovici, devem ser apenas como mecanismos auxiliares de prevenção. Ele não as indica para como mecanismo único de detecção de incêndio, até pelo custo adicional, que se caracterizaria, a princípio, como desvantagem. No entanto, enfatiza que o benefício é muito grande, podendo em muitos casos evitar desastres que seriam mais prováveis se a tecnologia não fosse empregada. Desta forma, o custo-benefício é interessante.

O sistema de detecção de incêndio por câmeras é considerado precoce, devido ao baixíssimo tempo de identificação do princípio de incêndio. Portanto, conforme o engenheiro Oliveira, as principais vantagens são, principalmente, a redução drástica do tempo destinado a supressão do incêndio e, consequentemente, a maior possibilidade de se obter êxito na extinção do fogo. “Essa ação rápida permite que a brigada de incêndio possa agir no foco de incêndio em tempo de se evitar o alastramento do fogo e suas consequências”, afirma.

Pelas características do sistema de detecção por imagem, Oliveira aponta como as principais indicações para seu uso as plantas com estratificação, um fenômeno físico em que uma camada de ar quente, em pés-direito acima de oito metros, impede que a fumaça atinja os chamados detectores convencionais.

Desta forma, é adequado para galpões de estocagem e logística: aeroportos, lugares de manutenção de aeronaves, em área fabris nas quais existe a interferência de outros elementos que prejudicam a eficiência dos sistemas de detecção de incêndio, e área de utilidades como caldeiras, estações de tratamento, áreas de transformadores de energia, entre outros.

Para o sistema de detecção atingir seus objetivos, o controle das imagens geradas deve ser feito com muito critério. De acordo com o CTO da Vault, é necessário que envolva vários aspectos, que, às vezes, são desprezados como redundância de infraestrutura (servidores, cabos, entre outros), pois só assim terá ótima eficiência.

Também é fundamental que o controle ocorra por meio de um software dedicado, no qual são programadas as zonas de detecção e bloqueio de cenário protegido, a gravação 24hs das imagens do local e todos os vídeos exclusivos de gravação de imagens do local e todos os vídeos exclusivos de gravação de eventos de incêndio, após a identificação pelas câmeras. Esse software oferece operação para administrador e usuário, segundo Oliveira, podendo ser visto em qualquer estação de trabalho que esteja instalado, mesmo a distância via web. Além disso, como as imagens gravadas de um evento de incêndio não devem ser apagadas da memória, o software oferece o mesmo recurso.