O mercado brasileiro de sistemas eletrônicos de segurança, que registrou faturamento de R$ 4,6 bilhões no ano passado e conta com 18 mil empresas, vem crescendo a uma taxa média anual de 10% nos últimos dez anos no Brasil, tendo como pano de fundo a oferta de plataformas integradas de soluções – abrangendo sistemas de circuito fechado de TV (CFTV), alarme e controle de acesso – e a migração das câmeras analógicas para digitais (tecnologia IP), que asseguram melhor qualidade e integridade das imagens geradas. Utilizados cada vez mais para auxiliar no combate à violência urbana, os sistemas eletrônicos têm sido bastante demandados pelos órgãos governamentais, que estão investindo em projetos de videomonitoramento das cidades.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o poder público responde por 9% do faturamento do setor e tem potencial para absorver fatia ainda maior. Condomínios comerciais, bancos e indústrias também são grandes usuários. Outro mercado potencial é o de residências, já que são poucas as que possuem algum tipo de proteção. “O mercado de segurança eletrônica cresce 10% sem qualquer regulamentação. Fizemos um estudo com a Universidade de São Paulo que mostra que, com uma lei específica, esse mercado vai crescer ordenadamente por volta de 20% ao ano porque as soluções são baratas e simples”, afirma Selma Migliori, presidente da Abese. Uma das provedoras de soluções integradas de segurança, a Vault tem as grandes corporações como principais clientes.

Esse segmento representa entre 60% e 70% do seu faturamento, que no ano passado foi de R$ 22 milhões. Fazem parte da carteira bancos, data centers, centros de logística e empresas de serviços de utilidade pública, como telecomunicações, energia e saneamento. Este ano, a empresa lançou novas soluções voltadas ao controle de acesso, que resultaram de investimento superior a R$ 1,5 milhão. Uma delas é o SCAIIP (Sistema de Controle de Acesso Integrado em IP), destinada à gestão centralizada da segurança de diversos sites de grandes corporações, ao pequeno varejo e aos data centers. O outro lançamento é a plataforma Outlock, para gestão e controle de acesso de sites remotos. “Com essas ofertas, estimamos crescer entre 35% e 40% este ano”, afirma Gustavo Rizzo, diretor geral da Vault.

A Axis Communications, que oferece soluções de vídeo em rede, espera aumentar a sua participação no mercado de sistemas eletrônicos de segurança com o avanço da tecnologia IP. A empresa está de olho nos clientes que partiram para a migração e também nos que estão instalando câmeras de segurança pela primeira vez. E busca os clientes que não querem trocar totalmente a infraestrutura analógica, mas desejam começar a experimentar o IP, fazendo uma migração aos poucos, acrescenta Marcelo Ponte, diretor de marketing da companhia para América do Sul. O executivo da Axis chama a atenção para a segurança. “No sistema analógico, você tem que colocar o gravador no local que está sendo monitorado. No caso de ocorrência, o equipamento pode ser roubado ou danificado, impedindo a recuperação das imagens. No sistema digital, as imagens são armazenadas em uma central de armazenamento e podem ser acessadas de qualquer local via internet”.

Para atender aos clientes de diversos segmentos, a empresa conta com quatro distribuidores e uma rede de 3.300 integradores. O mercado brasileiro tem atraído empresas estrangeiras. A israelense Risco Group investiu R$ 4 milhões na montagem de uma operação direta no Brasil, que inclui um centro de distribuição em São José dos Campos (SP) e um escritório em São Paulo. Faz parte dos planos erguer um fábrica de equipamentos de detecção de intrusão, central de alarme, controle de acesso e identificação. A empresa, que já comercializa no mercado brasileiro os sistemas Agility e LightSYS 2, para aplicação em central de alarme, está lançando a plataforma Bware, de detecção de invasão. “A nossa meta crescer 80% este ano e atingir um faturamento de US$ 30 milhões em 2015”, diz Eytan Dikstein, diretor geral.

Fonte: ABESE