A fabricação de portas e janelas voltadas para a blindagem de residências está impulsionando a indústria de aços de alta resistência. Confeccionadas com chapas e tubos metálicos com espessura e dimensões defi nidas conforme o projeto desenvolvido para cada tipo de imóvel, elas possuem capacidade de suportar impacto balístico de até 4.068 Joules, conforme a norma americana National Institute of Justice (NIJ). A união dos componentes é feita por meio de soldagem MIG, e eles podem receber tratamento anticorrosivo. De acordo com Rodrigo Cagnato, diretor da Vault (São Paulo, SP), empresa que atua no ramo de blindagem arquitetônica, São Paulo e Rio de Janeiro foram os estados que mais apresentaram demanda por esses tipos de produtos em 2013 e no ano passado. Segundo o executivo, o fornecimento de portas blindadas e a implantação de “quartos do pânico” (ambientes protegidos por blindagem de paredes, chão e teto) realizados pela empresa em 2014 tiveram crescimento de 15 e 30%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Ele afirmou ainda que a demanda apresentada pelos estados mencionados cresce cerca de 35% ao ano.

A companhia fabrica portas com chapas metálicas internas e externas, fixadas por meio de aparafusamento, que contam com sistema de travamento por meio de pinos de aço na maçaneta, os quais se deformam em caso de tentativa de arrombamento, dificultando o seu próprio rompimento, bem como janelas que possuem estrutura tubular de aço-carbono e que podem ser configuradas com perfis em formato de “L”, sendo a sua fixação feita também por pinos confeccionados em aço. Já a formatação dos ambientes blindados varia conforme o espaço e o tipo de arquitetura do recinto, fatores que irão determinar as dimensões das chapas utilizadas conforme a área de instalação e o nível de segurança almejado. Sobre o processamento dos metais utilizados, a fabricante é responsável pela soldagem, tratamento anticorrosivo e pintura, ambos realizados in loco, enquanto o corte e dobramento fica a cargo de prestadores de serviços.

A alta resistência mecânica e o menor peso, além da possibilidade de reutilização em caso de danos mínimos, na opinião do dirigente da empresa, são as principais vantagens apresentadas pelo aço em relação a outros tipos de materiais no que tange à blindagem.

Criminalidade alavanca mercado

De acordo com a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), o índice de crescimento anual do setor de blindagem de residências e estabelecimentos comerciais no País é de aproximadamente 20%. Segundo Laudenir Bracciali, presidente da entidade, o alto índice de criminalidade observado nos grandes centros urbanos é o responsável pelo aumento do uso de aços de alta resistência balística na construção de portas, guaritas de segurança, ambientes blindados e fachadas. Quando comparados os dados de mercado de produtos blindados oriundos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, conforme publicado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura (IBDA), o primeiro apresentou maior demanda de portas, fato atribuído ao elevado índice de assaltos a mão armada, enquanto o segundo assinalou maior demanda de janelas, em razão do elevado número de balas perdidas.