Capital do consumo de luxo, São Paulo também começa a ser conhecida como a metrópole brasileira onde mais se solicita serviços de blindagem. Só a empresa Vault aumentou em mais de 50% seus serviços de instalação de “quartos do pânico”, um cômodo totalmente blindado com câmeras que monitoram a área externa, popularizado no filme de mesmo nome estrelado por Jodie Foster. O número de refúgios de segurança instalados pela empresa passou de 20, em 2009, para 50 unidades em 2010. A blindagem arquitetônica custa entre R$ 5 mil a R$ 500 mil e é solicitada, na maioria das vezes, por empresários. Segundo a Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), o setor cresce 20% ao ano no Brasil.

A blindagem de fachadas e ambientes se dá, principalmente, onde a incidência de criminalidade é grande, como instituições financeiras (agências bancárias e empresas de transporte de valores). Nos “quartos do pânico”, o sistema de comunicação se dá por meio de um celular carregado disponível só para caso de emergência. Esse aparelho pode ter instalado um software com acesso às imagens das câmeras espalhadas pela casa e até sistemas de acesso com leitura de impressão digital, dispensando a utilização de chaves. Tudo varia de acordo com a preferência do cliente.

Closets e até banheiros podem ser blindados e usados como refúgios. A Vault faz desde blindagem de portas residenciais até blindagem de fachadas inteiras de prédios e projetos para áreas como salas-cofres de bancos e empresas de transporte de valores, que necessitam de proteção do piso até o teto. De acordo com Cristiano Vargas, diretor da Vault, o tipo de blindagem varia de acordo com a localização do imóvel. “Um cliente que mora nos Jardins, onde o acesso da polícia é rápido, pode aproveitar o closet, o banheiro ou o quarto para fazer a blindagem. Numa fazendo, ou local distante, onde o socorro é mais demorado, os clientes se preocupam em fazer um ambiente próprio pra isso, um cômodo inteiro blindado, que é uma obra bem mais complexa”, conta. Para o executivo, o aumento da demanda se deu com o grande número de ocorrências de arrastões em condomínios e a diminuição dos preços dos custos para fazer uma obra desse tipo. O especialista recomenda que as obras sejam feitas, se possível, numa época de reforma do imóvel já que a blindagem de um cômodo leva, ao menos, 30 dias.

Atualmente, existem quatro empresas exclusivamente dedicadas ao mercado de blindagem arquitetônica associadas à Abrablin. Além delas, há mais quinze no mercado. A instituição ainda não tem um levantamento de quantas residências blindadas existem no Brasil – no ano passado, foram blindados 6.926 veículos.

Fonte: Revista Época