Para muitos consumidores não há prazer maior do que conseguir um produto exclusivo e personalizado. E muitos pagam caro por isso. Não por acaso, o Mercado de Customização é uma atividade promissora e bastante lucrativa. Mas, para obter sucesso nesta empreitada, não basta ser criativo e ter ideias diferentes e inovadoras. “É preciso conhecer muito bem o lado tradicional do negócio. É fundamental que o empresário tenha familiaridade com as atividades essenciais do ramo, além de ser um especialista no produto que planeja personalizar. Apenas assim poderá oferecer sugestões e ajudar o cliente”, afirma Paulo Eduardo Figueiredo Freitas, consultor do Sebrae-SP.

O empresário Chrystiano Miranda sabia bem disso quando decidiu abrir uma oficina para customizar motocicletas Harley-Davidson. Ainda morando nos Estados Unidos, ele largou o emprego de designer gráfico para entrar na empresa das tradicionais motos americanas. Chrys, como é mais conhecido, trabalhou em diversas áreas e aprendeu atividades como mecânica e vendas de peças. Tamanha experiência e a paixão por motos fizeram com que voltasse ao Brasil e, em 2003, abrisse a Garage Metallica, empreendimento que teve um investimento inicial de R$ 120 mil.

No processo de customização, o empresário recebe pedidos para alterar peças, pintura e até a estrutura das motos – criando as chamadas “choppers”. Miranda desenha e fabrica peças – exceto câmbios e motores – com ajuda de seus dois funcionários. Com um universo de possibilidades, ele revela que uma das maiores dificuldades é transformar a vontade do cliente em realidade. “Muitos trazem ideias tiradas da internet e de filmes, achando que tudo é possível. Entretanto, algumas modificações como fazer uma suspensão muito baixa com tantos buracos nas ruas não são viáveis”, diz. “Nestas situações busco mostrar o problema e levar uma solução alternativa”, afirma.

Identificar a necessidade do cliente e conhecer as possibilidades disponíveis para customizar o produto são aspectos fundamentais para quem deseja entrar neste segmento. “Tem que saber ouvir e prospectar o gosto do cliente, analisando os pedidos com frieza, porque mudar depois de customizado gera mais gasto. Com isso, o indicado é fazer testes e mostrar um pré-projeto já com opções alternativas”, afirma Freitas.

Em um mercado de tendências como o da customização também é necessário manter-se atualizado. Atento às exigências dos clientes, Miranda busca cursos profissionalizantes e investe semestralmente R$ 20 mil para manter maquinário e ferramentas adequados às novidades. “Como as tendências para motos surgem, em média, a cada três meses sempre converso com amigos de profissão no exterior e viajo aos Estados Unidos para acompanhar o movimento”, diz.

A Garage Metallica que demorou quatro anos para se consolidar no mercado fatura hoje R$ 350 mil por ano e atende cerca de três clientes por semana. Na oficina, tempo e preço das customizações variam de acordo com o pedido. Em projetos simples (como pintura e substituição de peças) a personalização pode demorar até um mês e custar R$ 107 por hora trabalhada. Mas, quando se trata de uma “chopper”, a demora pode chegar a três meses e o custo variar entre R$10 mil e R$ 40 mil.

Para todos os gostos

Com a preocupação de inovar constantemente o portfólio e adaptá-lo às novas tendências, especialistas recomendam que os empresários flexibilizem a oferta de produtos para atender um número elevado de clientes. “É preciso diversificar sem perder a lucratividade do negócio. Às vezes, basta alterar a maneira de oferecer um produto para adaptá-lo à nova situação”, diz Sérgio Martins, especialista em gestão de marcas.

No Empório Avant Garde mais de 60 opções de tecidos estão disponíveis para os clientes.

Diversificar é palavra chave no site Empório Avant Garde, que oferece camisas personalizadas. Mesmo com a tradicionalidade do produto, os sócios Luis Akira Koshiyama Júnior e Jader Alvarado Ganzaroli apostaram em diferentes combinações de cores, tecidos e tamanhos para chamar a atenção do público. Desenvolvido em maio, o Empório recebeu investimento inicial de R$ 250 mil (para criação do site, compra de maquinário e estrutura da fábrica de confecção) e oferece 60 tipos diferentes de tecidos, sendo possível customizar punhos, colarinhos e inserir monogramas nas camisas.

Na empresa trabalham 15 funcionários e todos os meses mais de 60 clientes são atendidos. As camisas personalizadas demoram 10 dias para ficarem prontas e têm preços que variam de R$224 a R$287. “Procuramos nos atualizar sempre e recebemos a ajuda de uma estilista que nos mostra cores e tecidos em cada tendência. Com o mercado forte, pretendemos faturar R$ 627,2 mil neste primeiro ano”, afirma Koshiyama.

Vinicius de Luca busca alternativas para adaptar os projetos de blindagens.

Outra empresa que também oferece soluções personalizadas é a VAULT cujo foco é o ramo da blindagem. Fundada em 1992, com investimento inicial de R$ 500 mil, a empresa fabrica equipamentos e implementa soluções para clientes pessoa física, empresas e estatais. Os projetos customizados envolvem materiais, tamanhos e acabamentos diferentes em cada pedido.

O tempo de espera para a conclusão do projeto varia de acordo com sua complexidade, mas pode demorar até seis meses. Com 60 funcionários, a VAULT faturou em 2010 R$ 15 milhões e planeja alcançar os R$ 22 milhões este ano. “Achar soluções para customizar as blindagens não é o problema. A dificuldade, muitas vezes, é que o preço final pode não ser muito acessível ao cliente. Com isso, procuramos encontrar meios alternativos e vantajosos para os dois lados”, afirma Vinicius de Luca, diretor da empresa.

Fonte: IG Economia